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Infecções podem ser causa de até 15% dos tumores malignos diagnosticados no mundo

8 de agosto de 2018

Calcula-se que 15% dos tumores malignos diagnosticados no mundo sejam causados por infecções. Nos países ricos, esse número cai para 9%, enquanto nos mais pobres aumenta para mais de 20%.

Os germes capazes de induzir a formação de tumores não o fazem em todas as pessoas infectadas, mas aumentam significativamente o risco de a pessoa desenvolver câncer.

A maioria dos germes envolvidos na carcinogênese infecta grande número de pessoas, mas causa doença apenas nas predispostas geneticamente, naquelas com deficiência imunológica e nas que vivem expostas a outros agentes cancerígenos.

A maioria desses microrganismos é constituída por vírus, mas também existem bactérias, fungos e até alguns vermes. Os principais vírus diretamente ligados ao aparecimento da doença são os seguintes:

Papilomavírus (HPV)

São vírus sexualmente transmissíveis, constituídos por mais de 100 subtipos que infectam grande número de pessoas no mundo inteiro. A maioria dos subtipos provoca processos infecciosos sem maior expressão, causando, no máximo, verrugas benignas na pele e nos órgão genitais. Os subtipos 16 e 18, no entanto, estão associados tanto ao câncer do colo uterino como do canal anal.

No mínimo 80% das mulheres que desenvolvem câncer do colo uterino e canal anal estão infectadas pelo HPV subtipo 16. Números semelhantes ocorrem para homens e mulheres em relação ao câncer do canal anal. Recentemente, a infecção pelo HPV foi identificada como a causa de número expressivo de tumores malignos também da orofaringe.

Já existe vacina contra os tipos de HPV ligados a esses tipos de cânceres, em particular ao câncer do colo uterino.

Vírus das hepatites B e C (HBV e HCV)

Cerca de 5% das pessoas que adquirem o vírus B e 80% das que são infectadas pelo vírus C tornam-se portadoras crônicas da infecção e desenvolvem hepatite crônica, que pode levar à cirrose e ao câncer de fígado. As hepatites crônicas causadas pelos vírus B e C são responsáveis por pelo menos 80% dos casos de câncer de fígado.

Vírus de Epstein-Barr (EBV, do inglês Epstein-Barr Virus)
É um vírus pertencente ao grupo herpes (o vírus que causa bolhas nos lábios e genitais), que infecta a maior parte da população mundial.

A infecção pelo EBV está associada ao aparecimento de vários tipos de linfoma (tumores em que a célula maligna é o linfócito, um tipo de glóbulo branco), principalmente nos países da África. O EBV também pode causar câncer de nasofaringe.

Retrovírus

Os retrovírus HTLV-1 e HTLV-2 estão ligados a alguns tipos raros de leucemias e de linfomas. O HIV, o vírus da Aids, pertence a esse grupo. Embora não seja um vírus causador de tumores malignos, a debilidade imunológica por ele induzida facilita indiretamente o aparecimento de tumores malignos como sarcoma de Kaposi (que provoca manchas avermelhadas na pele), linfomas, câncer do colo uterino e da região anal, entre outros.

Bactérias

Helicobacter pylori, bactéria que se adaptou para viver nas condições ácidas do estômago, está associada ao aparecimento de câncer gástrico. Vale ressaltar que a maioria das pessoas portadoras dessa infecção nunca irá desenvolver câncer de estômago.

Em alguns casos de linfoma de estômago, a erradicação da bactéria com antibióticos pode causar regressão completa da doença. Esse talvez seja o único exemplo de cura de um tipo de câncer com antibióticos.

Parasitas

O Schistosoma haematobium, parasita que se instala nas vias urinárias, pode ser detectado em cerca de 10% dos casos de câncer de bexiga, especialmente no Oriente Médio e Índia.

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